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50tonsdecinzaFui assistir ao famosinho “50 Tons de Cinza”, baseado no fenômeno editorial dos últimos anos. E já posso adiantar que foi pura decepção, do começo ao fim. “50 Tons de Cinza” é udo preto no branco: um manda e o outro obedece: sem questionar… e, principalmente, não pode raciocinar sobre o assunto e nem se envolver emocionalmente. Tudo frio e calculista… baseado na dor do prazer!

Depois de ler muitas críticas a respeito do livro homônimo e tantas outras sobre o filme, minha expectativa já estava bem baixa, mas lá no fundo guardava uma esperança de ser surpreendida por um filme onde a sexualidade fosse tratada com seriedade. Sei lá… Esperava um filme que apresentasse a temática da liberação sexual e amores possíveis e sem limites com mais propriedade. Ledo engano!

Também, que ideia mais besta essa minha de achar que essas questões tão complexas seriam tratadas numa película baseada numa literatura ficcional.

Do que trata “50 Tons de Cinza”?

De acordo com a sinopse do best-seller erótico:

“Anastasia Steele é uma estudante de literatura de 21 anos, recatada e virgem. Um dia ela deve entrevistar para o jornal da faculdade o poderoso magnata Christian Grey. Nasce uma complexa relação entre ambos: com a descoberta amorosa e sexual, Anastasia conhece os prazeres do sadomasoquismo, tornando-se o objeto de submissão do sádico Grey”.

Mas na verdade a história é bem batida: uma relação entre um “total control freak” bilherdário sádico e uma pobre garota virginal.

Putz, quer coisa mais clichê?

O enredo uma garota inocente, virgem, consumida pelo amor e pelo desejo e confusa diante de um cara riquíssimo, controlador, misterioso e incapaz de demonstrar afeto. Nussaaaa que história inédita! Rsrsrs

Por alguns momentos me senti teletransportada para o universo dos livros romanceados de Sabrina, Julia, Bianca etc., bem aquele tipo literário que detesto.

A partir disso, a garota encantada com a luxuria e super perdida nas emoções não sabe se deixa-se levar pelas possibilidades do mundo sadomasoquista (prazer sexual + dor) ou se mantém sua convicção de buscar uma relação amorosa saudável a qualquer custo.

Os sadomasô’s que me desculpem, mas duvido que esse filme os represente, porque já vi cenas mais elaboradas, sugestivas e picantes no filme “9 ½ Semanas de Amor”, que data de 1986, do que no “50 Tons de Cinza”.

A única coisa de útil no filme “50 Tons de Cinza”, como disse dia desses, Léo Jaime no programa Saia Justa da GNT, foi introduzir o assunto do fetiche e da fantasia sexual abrindo o horizonte para a visão de que um tapinha não dói, claro, sem violência! Tornando “mais amenas” as práticas sexuais atípicas.

50tonsdecinza_bilhete_cinemaNão li o livro e provavelmente não lerei (mais porque não curto literatura ficcional, do que pelo tema propriamente dito), mas fiquei decepcionada com o conteúdo do filme.

A princípio achei que se tratava de um filme um pouco mais moderninho… revolucionário, tendo em vista o estardalhaço midiático que causou o livro, e que apresentava ideias sexuais libertárias, pra além do sadomasoquismo. Mas me deparei com um filme água-com-açúcar onde o amor e o sexo são tratados sob a riste de um contrato jurídico que estabelece o que pode ou não conter na relação do casal.

E a ideia de que no amor e na guerra valem tudo?

No caso do filme, só vale tudo aquilo que está previsto no contrato: sexo: pode; carinho: não pode; dor: pode; andar de mãos dadas: não pode; prazer: pode: amor: não pode!

Mesmo apresentando uma história de senso comum, o filme já ganhou notoriedade e o Portal 50 Tons anuncia:

“… foi a maior estreia brasileira da Universal Pictures até hoje, e a quarta maior estreia da história do cinema no país”.

Acredito que muitas que leram o livro e tantas outras como eu, curiosas de plantão, correram ao cinema para ver o tal acontecimento literário em película. E boom… sucesso de bilheteria!

“50 Tons de Cinza” é um filme preto no branco que sugere que numa relação de submissão o amor fica de fora. Ele não tem nada de romântico, nada de pervertido nem de sadomasoquismo. Tem tudo a ver com uma antiga ideia cristã (sim, cristã e machista) de que a mulher deve se submeter ao homem e suas vontades sem questionar ou exigir algo em troca. Ideia arcaica já superada por todas nós há muito tempo.

Pelamor, né! Espero que as próximas adaptações sejam melhores!

Ainda bem que a companhia no cinema era ótima e valeu muito o encontro!

Amor e Sexo – Rita Lee
Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte

Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema

Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia

O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom…
Amor é do bem…

Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade

Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois

Sexo vem dos outros,
E vai embora
Amor vem de nós,
E demora

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é isso,
Sexo é aquilo
E coisa e tal.
E tal e coisa.

Ah, o amor…
Hum, o sexo…

Só pra registrar: “De acordo com a Classificação Internacional de Doenças F65.5 o sadomasoquismo é considerado doença se apenas a atividade é a fonte de estimulação mais importante do casal ou é necessária para a satisfação sexual. O sadomasoquismo pode causar agressões, traumas e morte”. (Wikipédia)

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Este post traz duas dicas excelentes de filmes sobre a temática LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Trangêneros) e Direitos Humanos.

O assunto tem tudo a ver com o calendário de dezembro e não estou falando do fim do mundo, Natal ou coisas do tipo, mas sim do estabelecimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos, comemorada no dia 10.

As duas obras são baseadas em histórias reais e retratam a luta do movimento GLBT americano em busca de respeito e de direitos iguais.

Sem dúvida são histórias para fortalecer os ideais, renovar os conceitos, inspirar novas ações e atitudes e praticar o respeito ao próximo.

Política e Diversidade Sexual

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A primeira dica é o filme Milk – A Voz da Igualdade”, estrelado pelo ator Sean Penn, que conta a história do nova-iorquino Harvey Milk que resolve concorrer às eleições para a Câmara de Supervisores da cidade de San Francisco tendo como principal bandeira de luta a defesa dos direitos LGBT. Apesar da resistência popular ele se torna o primeiro gay assumido a alcançar um cargo público de importância nos Estados Unidos e a combater as legislações discriminatórias da época.

O filme mostra o crescimento do movimento gay contra a homofobia e em defesa da livre expressão sexual.

Religião e sexualidade

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Em “Orações para Bobby” (Prayers for Bobby) a história agora é outra. O filme, baseado no livro homônimo de Leroy F. Aarons, conta a história de Bobby Griffith um adolescente que tenta reprimir seus sentimentos por ser oprimido pela família cristã conservadora que tenta curá-lo do pecado carnal, principalmente sua mãe fanática religiosa.

Durante seu despertar sexual e acometido pelas preocupações religiosas e morais ele busca aceitação social e também acabar com seu sofrimento. E encontra resposta no suicídio.

Diante da tragédia e da dor, sua mãe abre os olhos e busca conforto em um grupo de autoajuda para pais com visão religiosa mais ampla e que defendem incondicionalmente os direitos dos gays.

Respeitando as diferenças

Não vou me aprofundar contando essas duas histórias tocantes. Apenas digo que os dois filmes caminham no sentido de amenizar o preconceito, entender e respeitar a luta dos ativistas LGTB e combater a homofobia. Mas isso só será possível se você assisti-los com a mente e o coração abertos.

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Há tempos queria assistir o filme Milagre em Santa Anna de Spike Lee e não encontrava tempo e quando o tinha esquecia completamente de onde coloquei o DVD… loucuras minhas.

Não sou muito fã de filmes sobre a guerra, mas adoro filmes que reconstroem as histórias do passado. Mesmo que estes sejam apenas filmes, muitos baseados em fatos reais, mas com licença poética ou de compreensão.

Falar da Alemanha nazista ainda é um prato cheio para os cineastas do mundo inteiro… E renderá ainda muito pano pra manga, pode ter certeza.

O que falar de histórias de cumplicidade num ambiente hostil?

Spike Lee não poderia ficar de fora dessa. Também produziu seu filme com sua versão sangrenta sobre a guerra travada contra os alemães, sendo que esta se passa na Toscana (Itália) num vilarejo chamado Santa Ana.

Este filme comovente me fez refletir sobre como os negros eram tratados como lixo na guerra. Eram mandados para a linha de frente para poupar do combate acirrado os homens brancos. Não sou generalista, dizendo que todos os exércitos da terra maltratavam negros, mas que sempre houve diferença isso não dá pra negar até hoje.

É um filme que reforça a tese do cineasta de que negros e brancos não estão, ainda, em pé de igualdade, infelizmente!

E o que falar de Spike Lee que construiu sua carreira em cima de filmes que relatam o descaso, a indiferença, a discriminação e as injustiças cometidas contra negros americanos. Spike Lee tenta resgatar com seus filmes, histórias de vida que retratam anos após anos de opressão contra os negros, não só americanos, mas de forma geral, do mundo.

Diria que desta vez, ele não foi feliz tanto quanto em outros filmes, mas com um pouco de esforço do telespectador sua mensagem se faz ouvida, bem baixinha, mas se faz.

O filme fala das diferenças de tratamento entre brancos e negros, de confiança, de respeito, de lutar por um ideal – que nem sempre é seu – e de amor ao próximo.

Mas também fala de estereótipos que o próprio Spike Lee reforça entre os quatro soldados negros que protagonizam o enredo do filme: o malandro, o bobão, o que faz o que os outros mandam e o revoltado.

O início do filme tenta oferecer um mistério que se desvendará somente no final. Mas infelizmente, não é uma coisa que nos faz entender logo de cara. Ao final muitos podem achar que o início do filme poderia ter sido mais bem construído ou que o final poderia tem um enredo mais traçado. Ainda não sei se o problema está no início ou no fim do filme. Bom deixa pra lá!

Bom, de qualquer forma vale a dica para ver como um cineasta negro americano retrata uma guerra ao seu entender. São os olhos e ideais deste cineasta que se transportam para a tela de uma forma não tão consistente. Ele não foi feliz em mostrar as desigualdades, apenas balbuciou na tela que as diferenças existem. Mas isso todo mundo já sabe, né?

É bom dizer, que Spike já fez filmes bem melhores. Mas vale dar uma conferida para ver o que ele pensa.

Sinopse

Adaptação do romance de James McBride, ambientado durante a Segunda Guerra, que conta a história de quatro soldados americanos que fazem parte da 92º Divisão Buffalo Soldier – formada apenas por negros. Baseados na Toscana, Itália, em 1944, esses quatro homens caem numa armadilha preparada pelos nazistas. E acabam se separando quando um deles decide arriscar sua própria vida para salvar um garotinho italiano.

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Preciosa: uma história de esperança

Precious ou Preciosa, em bom português conta a história de Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe) uma jovem negra; gorda; pobre; analfabeta; abusada sexualmente pelo pai; mãe de dois filhos, sendo um com Síndrome de Down; vitíma de violência doméstica e, que apesar dessa somatória de situações negativas, consegue lutar, sobreviver e dar uma  perspectiva feliz para sua vida.

Uma história de incesto, estupro, violência doméstica, preconceito não são coisas completamente novas no cinema, mas neste filme, formaram uma combinação surpreendente.

Com o triste drama de uma pessoa que sobrevive diariamente às injustiças e tristezas que a vida lhe impõe, suas palavras dilaceram nossa alma e cortam nosso coração.

“Às vezes eu desejo que não estivesse viva. Mas eu não sei como morrer. Não há nenhum botão para desligar. Não importa o quão ruim eu me sinta, meu coração não para de bater e meus olhos se abrem pela manhã”, diz Preciosa num momento dramático do filme.

Apesar de ser filme, essa é a história de muitas garotas, que podem ser minha ou sua amiga, parente, vizinha, colega etc. Não dá pra fechar os olhos e achar que é só cinema. Tem sim, uma semelhança enorme com a realidade.

Aquela realidade que massacra muitas garotas que são agredidas diariamente e não contam com amparo de ninguém. Que sentem vergonha, medo, tristeza, depressão… inúmeros sentimentos que reforçam que a vida não vale a pena.

No filme, Preciosa consegue passo a passo mudar sua triste realidade e provar que é preciso muito coragem para reverter maldades que as pessoas nos fazem. Sua imaginação é, sem dúvida, um dos pilares que sustentam sua perseverança e, por fim, seu agir.

É um filme intenso, reflexivo, forte e chocante! Foi feito para entendermos o que fazemos com nossas crianças ou nossos adolescentes. E, principalmente, para mudarmos nossa postura diante das agruras da vida. Sermos menos egoístas e maldosos.

A sinopse do filme diz:

“1987, Nova York, bairro do Harlem. Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente de 16 anos que sofre uma série de privações durante sua juventude. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e abusada pela mãe (Mo’Nique), ela cresce irritada e sem qualquer tipo de amor. O fato de ser pobre e gorda também não a ajuda nem um pouco. Além disto, Preciosa tem um filho apelidado de “Mongo”, por ser portador de Síndrome de Down, que está sob os cuidados da avó. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola. A sra. Lichtenstein (Nealla Gordon) consegue para ela uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor lidar com sua vida. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação”.

Mas o filme é bem mais que isso…

O filme fala de superação dos limites, de esperança, de busca por justiça, de amor…. de muito amor.

O filme é baseado no livro da escritora e ativista negra Sapphire, tem seis indicações ao Oscar. e conta com atuações de Mariah Carey e Lenny Kravitz.

Pensando no Brasil… apesar dos apesares, de que a lei só existe para ficar no papel e traçando um paralelo com inúmeros casos que vemos de abuso e violência domésticas que ficam impunes (como o caso da cabeleireira morta impunimente pelo marido diante das câmeras de vigilância em Belo Horizonte), ainda tenho muita fé de que a Lei Maria da Penha traga mais justiça para o nosso país.

Um Salve à Maria da Penha!

Mulheres vamos à luta!

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Ontem assisti o incrível filme A verdadeira história de Lena Baker (2008).

Esse drama é baseado na vida de Lena Baker, a primeira e única mulher a ser condenada a cadeira elétrica no estado da Geórgia/EUA.

No início do século 20, vivendo numa sociedade escravocrata extremamente racista Lena Baker luta para conseguir ultrapassar os desafios de sua vida.

Leda é uma mulher negra, que no início da sua fase adulta foi presa por exercer ilegalmente a prostituição. Depois de cumprir sua pena e se apegar a Deus, em meio a reviravoltas  da vida ela se vê amedrontada, ameaçada e escravizada sexualmente por um homem branco, numa sociedade em que era crime uma mulher negra viver com um homem branco.

Ao fazer sua escolha pela liberdade sente-se obrigada a tomar uma atitude mais rigorosa e ao assassinar acidentalmente seu algoz ela é hostiliza por ser negra, pobre e ex-alcoolatra. Leda foi condenada, executada  (cadeira elétrica) e, em 2005, postumamente perdoada.

Uma história recheada de dilemas morais, religiosos e éticos com muito drama. Tichina Arnold desempenha um papel forte e marcante na pele de Lena. Para quem só a conhece no seriado Everybory Hates Chris, não sabe do que essa atriz é capaz.

Não quero me alongar no comentário, mas fazia tempo que não engasgava com imagens e história tão surpreendes. Adoro cinema porque tem o dom de nos tocar intimamente.

É de causar reflexão e muita discussão, porque muitas sociedades/país ainda possuem resquícios dessa amarga e impagável história de escravidão e perpetuam em suas culturas a idéia preconceituosa e desigual de que brancos e negros são seres humanos qualificadamente diferentes e, por isso, merecem tratamento diferenciado.

O problema é que somos todos iguais, mas com nossas diversidades e, por isso, não é aceitável o racismo e/ou diferenciação que tenta desqualificar ou julgar o ser humano, seja quem for ele: negro, índio, latino, mulher, gordo, deficiente etc.

Sem dúvida, é uma história surpreendente!

Informações:

Título Original: The Lena Baker Story
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 106 min

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